Crescimento pessoal

06/06/2016 10h00

Como evitar relacionamentos tóxicos?

Saiba o que você precisa melhorar em si mesmo e quais habilidades comportamentais tem que desenvolver para suas relações serem mais felizes, duradouras e gratificantes.

Por Soraya Rodrigues de Aragão

Arquivo Nosso Bem Estar
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Cada ser humano é complexo, multifatorial e multideterminado, sendo atravessado por uma história de vida, cultura e modelos sociais que geraram uma subjetividade

Etimologicamente, relacionamento é uma palavra simples, mas em termos práticos envolve uma complexidade imensa, um desafio constante e diário.

Relacionar-se consigo mesmo muitas vezes é por si só difícil, dependendo do grau de autoconhecimento, de maturidade emocional e da capacidade de compreender e ser compreendido pelo outro.

Cada ser humano é complexo, multifatorial e multideterminado, sendo atravessado por uma história de vida, cultura e modelos sociais que geraram uma subjetividade, uma maneira única de perceber e avaliar os ambientes, os contextos e de fazer leituras fenomenológicas dos acontecimentos e das pessoas. Enfim, cada um faz um recorte da realidade de maneira altamente personalizada.

Então, imaginem quando a questão é relacionar-se com o outro; é de se esperar que essa complexidade aumente, já que todos temos nossas idiossincrasias e, portanto, é necessário desenvolvermos determinadas habilidades e competências que possam garantir um convívio saudável e enriquecedor no aspecto relacional, tais como a empatia, o respeito e a aceitação do outro.

Nesse contexto entra em jogo também a questão do acolhimento do ser na sua individualidade e integridade, não podendo nos esquecer dos critérios dos limites, necessários para estabelecermos o ponto de equilíbrio do que queremos e precisamos compartilhar com o outro, seja no aspecto físico ou simbólico.

Como lidar com relacionamentos interpessoais difíceis?

Não existe uma receita pronta quando o assunto é relacionamento interpessoal. No entanto, acredito que estes 6 aspectos são primordiais para desenvolvermos e mantermos relacionamentos saudáveis:

1 - Diálogo

Gostaria de ressaltar a questão do diálogo e das críticas construtivas nos relacionamentos que, quando bem elaboradas e bem direcionadas, geram crescimento e aprendizagem pessoal e relacional. Cultivar o diálogo é tão importante que um mal-entendido pode ser evitado ou clarificado diante de uma boa conversa.

2 - Empatia

Faça o seguinte questionamento caso tenha se envolvido em uma dinâmica relacional atribulada: Será que o “difícil” é realmente o outro? É importante que as pessoas percebam suas posturas e seus comportamentos para que verifiquem a possível necessidade de mudanças. Igualmente importante é viabilizar o encontro, desenvolvendo um dialogo empático. A empatia é imprescindível nesse processo, portanto, tente sempre se colocar no lugar do outro.

3 - Respeito ao ponto de vista do outro

Cada pessoa tem uma percepção única de um determinado fenômeno, fazendo um recorte específico da realidade, a partir de sua subjetividade, não tendo a capacidade de visualizar e perceber o fenômeno em sua totalidade. Sendo assim, se um percebe de um jeito e o outro percebe de outro, não quer dizer que um esteja certo e o outro errado.

Quer dizer que ambos verificaram aspectos distintos em um momento específico, fazendo uma leitura diferenciada. Sendo assim, é necessário aprender a respeitar o ponto de vista do outro e, muito mais que isso, tentar perceber como o outro, não se abstendo da própria individualidade. As diferenças devem sempre ser motivo de crescimento e nunca de separação ou segregação.

4 - Tolerância ao diferente

Vivemos em um mundo de diversidade e nisso consiste sua riqueza. A tolerância é a capacidade de reconhecer no outro uma alteridade legítima, e a partir das discrepâncias, do diferente, termos oportunidade de desenvolvermos habilidades como a harmonia e a capacidade de compreensão do outro.

5 - Regras de conduta e ética

Toda e qualquer sociedade apresenta o seu sistema de valores, condutas e normas sociais, as quais são legitimadas no próprio convívio social. Aquele que foge ou se desvia do padrão estabelecido no “contrato social” é colocado à margem. Isso acontece porque sem regras de conduta os relacionamentos se desorganizam.

6 - A importância da escuta

A importante arte da escuta é a base do diálogo e, consequentemente, do sucesso em todo convívio. Escutar não é o mesmo que ouvir; a escuta demonstra interesse e interpretação dos fatos, ela supõe envolvimento no discurso do outro. A partir dessa conduta de escuta e diálogo evitamos conflitos e viabilizamos o desenvolvimento de outros atributos como companheirismo, aceitação e tolerância.

Infelizmente, em alguns casos, o relacionamento tornou-se inviável pelo alto grau de toxidade que foi desenvolvido. Nesse caso, o melhor a fazer é dar uma pausa, a fim de criar novas perspectivas de reaproximação em um outro momento.

Soraya Rodrigues de Aragão é psicóloga, escritora e palestrante. Fonte: alquimiadavida.org

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