Crescimento pessoal

11/01/2016 12h08

Era uma vez um Verão...

É verão, bom sinal, já é tempo... de abrir o coração e sonhar!

Por Nosso Bem Estar

IVAN KRUK/DOLLAR PHOTO CLUB/BE
Capa jan dollarphotoclub 84642497

Sem dúvida, o verão é uma estação inspiradora e não há quem não tenha uma história inesquecível, vivida nos dias quentes de verão, para compartilhar.

O verão é uma estação inspiradora, já dizia o Roupa Nova, na letra dessa canção. Assim como ela, muitas outras músicas, além de livros, filmes e poesias, exaltam as delícias da estação que tem os dias mais longos e um clima de total descontração no ar.

Sem dúvida, é uma estação inspiradora e não há quem não tenha uma história inesquecível, vivida nos dias quentes de verão, para compartilhar.

É tempo de relaxar e viver aventuras. Quem pode estar perto do mar, aproveita o renovador contato com a natureza. Quem não pode, aproveita o clima relaxado que a cidade adquire, para confraternizar com os amigos. Somos autorizados a curtir, tudo fica mais leve e, talvez por isso, o verão nos permita uma maior entrega para a vida. É nessa estação que muitos amores se iniciam, romances são vividos intensamente e acontecem encontros inesquecíveis. A explicação, pode estar nas cartas do Tarô, como nos conta Jaime E. Cannes. Segundo o tarólogo, os arcanos menores do oráculo estão ligados às quatro classes sociais da Idade Média: Paus corresponde aos camponeses; Copas ao clero; Espadas ao exército e Ouros aos comerciantes. Representam, também, as quatro estações do ano: Paus, a primavera; Copas, o verão; Espadas, o outono e Ouros, o inverno. “Muitos dos casamentos eram realizados durante o verão, um mês antes ou um mês depois. No Hemisfério Norte, onde o Tarô foi concebido, o verão começa em 21 de junho. Sendo assim, o mês de maio ficou sendo o mês das noivas, no apogeu da primavera e às vésperas do verão, em que era comemorado o sabá Beltane (no dia 1º) da fertilidade e dos ritos de procriação. O cálice era um instrumento cerimonial utilizado nos ritos pagãos de união”, revela. Mais tarde, com o advento da cristandade, passou a representar o coração de Cristo, o Graal ao qual a legendária corte do rei Arthur se dedicou a buscar e resguardar. Em muitos baralhos de Tarô, como o de Marselha, o Ás de Copas aparece com uma igreja sobre o cálice, simbolizando a casa de Deus e o templo da consagração do amor dos homens. “No Tarô, o naipe de Copas representa o amor romântico, tanto no campo dos sonhos e idealizações, como no das fantasias sexuais. Por isso, amores de verão são uma realidade simbólica e sincronística da vida humana bem marcada, como disse Tetê Espíndola, em cartas de Tarô”, comenta Jaime.

Verão, praia e Carnaval – o começo de uma família feliz

Mary Mossmann estava separada há seis meses, quando foi passar o Carnaval na praia com uma amiga. Já na primeira noite, estava num barzinho, quando botou os olhos naquele que sentiu ser o “homem da sua vida”.  Mas ele estava acompanhado e as duas decidiram ir para o clube. “Estava no salão, pulando o Carnaval, quando ele chegou. Alguém o empurrou para o salão e ficamos frente a frente. Saimos da roda e fomos para a mesa; ali passamos uma noite tranquila e muito feliz.” No dia seguinte, ela teve que voltar para a cidade e ele decidiu acompanhá-la. Passaram uma semana se encontrando todos os dias.

Até que ela revelou que era separada e tinha três filhos pequenos.  “Naquela época, ser separada não era tão comum. A surpresa ficou estampada no rosto dele, que disse não estar preparado para tanta responsabilidade. Fiquei muito decepcionada. No dia seguinte, porém, ele me procurou e disse que eu era a mulher que ele queria, com ou sem filhos”, conta.

Acabaram se casando e, em seguida, ela ficou grávida. “Por isso, esse verão que vivi, há 38 anos, foi inesquecível pra mim. A melhor coisa que aconteceu na minha vida. Continuamos juntos até hoje, temos quatro filhos e sete netos, e o oitavo está quase nascendo. E de uma coisa tenho certeza, eu reconheci o meu amor de outras vidas assim que o vi”, revela.

Passeios no agreste e o pior sorvete do mundo

Foi no verão do ano passado que Rubyane Borba, designer de interiores e Eládio Ferreira, fotógrafo, passaram momentos tão legais juntos que acabaram tendo sua vida transformada. Ela morava em Porto Alegre e ele em Recife, quando se conheceram pelo Facebook. Foram cinco meses de conversa pela internet, até que ele disse que viajaria ao sul, para conhecê-la. Passaram um final de semana juntos e começaram a namorar; depois disso ficaram longos três meses sem se encontrar. Até que, em janeiro de 2014, decidiram passar as férias de verão juntos.

Ela foi para o Recife para um “teste de casamento”. Passaram um mês inteiro juntos, viajando para várias praias, curtindo um verão maravilhoso. “Eu tinha passado no vestibular da UFRGS pra estudar História da Arte e tive que voltar. Mas já tínhamos decidido que tínhamos que morar juntos”, conta Rubyane.

Na volta ela largou o emprego, desistiu do curso e começou a se preparar para a mudança. Sem dúvida, foi o verão mais importante dos dois. Sem ele, teriam perdido a oportunidade de viverem esse amor.

“Naquele verão, ele me levou pra conhecer o agreste, que era o meu sonho, e diversas praias paradisíacas. Conheci todos os cantos do Recife que queria conhecer. Provei o pior sorvete do mundo. Dirigimos quilômetros para conhecer uma cachoeira superfamosa e, quando chegamos lá, era uma bica – um caninho que enchia uma piscininha de pedra e a cascata ficava lá no fundo, inacessível. Mas foi maravilhoso!”, conta Rubyne.

Amigas para sempre

E nem só de amores românticos são feitas as memórias de verão. A nutricionista mexicana Vera González Inzunza, em pleno Carnaval no Brasil, viveu um encontro com o que ela considera uma das coisas mais importantes na vida: a amizade.

No verão de 2014 ela veio pela primeira vez ao país e acabou encontrando três amigas que conheceu em Londres, em 1993. “Estávamos vivendo em um país onde não conhecíamos ninguém. Lá, elas eram a minha família. Mas havíamos perdido o contato e, graças ao Facebook, pudemos fazer esse resgate e nos reunirmos depois de 22 anos, no verão”, conta Vera.    

Quando se encontraram, foi como se nunca tivessem deixado de se ver. Uma delas, em especial, Gil Silva, passou a fazer parte da vida de Vera de forma intensa. “Ela se converteu na amiga mais inesperada e maravilhosa que a vida me deu. A partir daquele Carnaval, começamos uma viagem fantástica de amizade. Temos compartilhado nossos países, casas, idiomas, culturas, amigos e famílias. Isso faz de mim uma pessoa verdadeiramente rica. Me sinto uma milionária vivendo esse tipo de experiência”, revela a mexicana.

Segundo Vera, foi um verão em que ela regressou à infância. Muita risada, troca de segredos, dúvidas compartilhadas, sonhos e aventuras construídas. “Me senti jovem, divertida, como uma louca feliz! É insólito que graças a um verão que durou dez dias, eu tenha tido a sorte de ter por perto pessoas tão amadas, com quem mantenho conversas intermináveis, que abriram a minha mente e que, sem dúvida, me fizeram uma pessoa melhor.”

Lembranças do veraneio

A professora aposentada Leila Mylius passou verões incríveis na casa de praia da mãe, em Bom Jesus, 6 km antes de Arroio do Sal. “A gente reunia toda a família, era uma festa. Vivemos muitos momentos engraçados e felizes juntos”, diz a professora.

Como a familia morava em apartamento e todos trabalhavam fora, nunca puderam ter cachorro. Na praia, os vizinhos dos fundos tinham uma cadela, a Pretinha. “Ela já sabia quando estávamos chegando, corria para a estrada para nos esperar e não saía mais lá de casa. Colocava as patinhas traseiras no ferro da bicicleta e as da frente no guidão e passeava com meu filho”, lembra.

Ela dormia na parte dos fundos da casa. Uma vez, latiu a noite toda. Depois descobriram que um ladrão havia quebrado o vidro do carro. “E nós, brabos com ela!”. Naquele ano, a família passou o Natal na praia. “A Pretinha, que estava prenha, entrava no quarto do meu filho, pegava as cuecas e meias que ele deixava no chão e ia levando para baixo da casa para fazer o ninho dos filhotes, que nasceram dia 10 de janeiro. Tivemos de chamar uma pessoa para retirar algumas tábuas e pegar os cinco filhotinhos”, relata Leila. Infelizmente, três dias depois ela foi atropelada por um ônibus. Leila e a família passaram as férias todas cuidando dos cachorrinhos. Levantavam de madrugada para fazer mamadeiras. “Foi um verão bem diferente, quase sem mar, pois a casa ficava longe e não dava tempo de ir, tomar banho e voltar, já que sempre tinha um cachorro choramingando. Disse pra minha filha que, como ela havia cuidado muito bem deles, poderia trazer um, que acabou ficando conosco por 15 anos, nos deixando faz um ano. Os outros conseguimos doar, mas o Popó foi o mais feliz com certeza, cercado de carinho e atenção”, diz a saudosa professora.

A casa da sereia

O educador físico Fábio de Jesus também lembra com carinho e nostalgia dos verões vividos em Cidreira. Os pais, todos os verões, alugavam casa na praia, e a mãe, ele e a irmã passavam a semana lá. O pai ia somente nos finais de semana. “Nunca vou esquecer a casa em que ficávamos porque tinha uma sereia pintada na parede. Eram outros tempos, não havia violência, as crianças brincavam tranquilas na beira da praia, com suas planondas, as antigas pranchas de surf de isopor. O tio do picolé era nosso amigo e era uma festa quando a gente ouvia, ao longe, ele tocando sua corneta. Lá vinha o sorvete! A gente passava o dia todo na praia, a mãe levava água e sanduíche, era uma delícia”, relembra Fábio.

Uma madrugada em que estavam sozinhos na casa, ouviram uma batida forte na porta. Perguntaram quem era e ninguém respondia. Outra batida e nada... Acordaram a mãe, que, naquela altura, já estava apavorada. “Quando a mãe tomou coragem e abriu a porta, viu que era um cavalo!”, relembra Fábio.

A maior praia do mundo

O cozinheiro pelotense Tiago Silva lembra com saudade dos verões ao lado do tio, na praia do Cassino, caçando “corrupto” e pescando. “Hoje em dia se a gente disser que está caçando corrupto, ninguém vai pensar que é um crustáceo”, diverte-se Tiago. Eram outros tempos, ninguém ficava grudado no celular, e estar com a família era a melhor programação. “A gente sempre teve o costume de acampar e montar as barracas já fazia parte da diversão. Sair pra pescar, andar de vagoneta, jogar futebol na areia eram as preferidas.”

Tiago atribui a um verão desses seu despertar para a gastronomia. “Parece história de pescador, mas um dia pescamos tanto que faltou balde para guardar os peixes. Depois comemos as ovas da tainha, uma iguaria cujo sabor eu nunca mais esquecerei”, conta o cozinheiro.

Histórias de verão contadas pelo cinema

O verão também é uma estação bastante aguardada pelos cineastas, pois é quando as salas ficam lotadas, com o recesso escolar. Além de tudo, um cineminha é uma boa desculpa para fugir do calor escaldante da cidade e passar algumas horas aproveitando o ar-condicionado. 

Para combinar com a estação, diversos filmes se passam nessa atmosfera descontraída e a gente pode encontrar ótimas histórias de verão contadas pelo cinema. É o caso de O verão da minha vida, que retrata as férias de um garoto de 14 anos que tinha tudo para ser um fiasco, até ele começar a trabalhar em um parque aquático.

Na comédia norte-americana As grandes férias, o pai junta a família para passar férias tranquilas e naturebas no interior. Os planos vão por água abaixo com a chegada do cunhado, que acaba sendo um hóspede para lá de indesejado.

O filme Conta comigo traz um grupo de amigos que se tornam mais próximos ao irem atrás de um colega tido como morto. Ninguém poderia imaginar que esse roteiro faria tanto sucesso, mas é uma história bacana de uma viagem que se transforma em uma jornada de autodescoberta, marcando a vida dos meninos para sempre.

Outra dica é a aventura de quatro meninos órfãos que descobrem a importância da família depois de passarem um verão, juntos, na praia, no filme de Daniel Radcliffe, Um verão para toda a minha vida.

E para quem gosta de documentários antigos, Alegria de verão, de 1966, mostra a aventura real de surfistas em busca da onda perfeita. O filme acompanha um grupo que roda o mundo, surfando nos mares da África do Sul, Nigéria, Taiti e  Austrália. 

X