Família

28/07/2015 11h17

Ocitocina Natural x Sintética

Entenda a diferença e os efeitos de cada uma no processo do parto.

Por Kalu Brum/Vila Mamífera

SpaPartners/DOLLAR PHOTO CLUB/be
Ocitocina

Esse é um tema desconhecido da maioria das mulheres e fundamental no parto.

Quantas vezes ouvimos que um parto foi extremamente doloroso ou ainda que tentaram um parto normal, mas que acabou em uma cesárea por sofrimento fetal? Nesses casos eu sempre pergunto: você recebeu soro?

A resposta quase sempre é positiva. Na maior parte dos partos normais em todo o planeta, para acelerar a contração do útero e tornar o parto mais rápido, a ocitocina sintética é usada de forma padronizada. Aqui no Brasil, salvo raras exceções, os partos normais acontecem com ocitocina, seja no sistema público, seja no privado.  O famoso “sorinho” torna as contrações extremamente fortes e doloridas, levando muitas vezes  à alteração do batimento cardíaco do bebê e fazendo com que seja necessário o uso de anestesia e de uma cascata de intervenções. Essas contrações excessivas e não naturais levam a mulher a ter uma dilatação mais rápida, no entanto, aumentam a chance de uma ruptura uterina.

Ora, mas se a ocitocina sintética pode ser tão nociva, o hormônio natural é fundamental para o trabalho de parto.
 

O que fazer para liberar ocitocina natural?

O mesmo que fazemos para ter um sexo prazeroso. Para parir e gozar precisamos das mesmas condições ambientais, dos mesmos hormônios para relaxar, nos entregarmos e haver dilatação.
− Pouca Luz;
− Silêncio;
− Privacidade;
− Não observação;
− Ambiente quente e confortável;
− Beijo na boca;
− Massagem;
− Paz.

Exatamente o que não se tem em um ambiente hospitalar.

O que bloqueia a liberação de ocitocina natural e faz o parto ficar mais lento? A adrenalina, o medo, a insegurança. Imagine que lá nos tempos das cavernas uma mulher em trabalho de parto fosse atacada por uma tribo inimiga. A adrenalina bloqueava o trabalho de parto para que a mulher pudesse salvar a si mesma e a sua cria. Em lugar seguro, o trabalho de parto recomeçava.

Vale ressaltar que uma vez que a ocitocina sintética entra na corrente sanguínea da mulher, toda a ocitocina que ela liberaria naturalmente, antes, durante e depois do parto, é bloqueada.

E depois do parto, momento em que é necessária a liberação da ocitocina para a criação de vínculo com o bebê, o hormônio não está presente. É claro que vamos muito além das funções biológicas e isso nos difere de outras espécies. Mas também não podemos deixar de considerar que somos mamíferas.

Em qualquer mamífero, quando a cria é afastada imediatamente após o parto ou quando o parto necessita de intervenção, a fêmea rejeita a cria. Mais uma vez repito que somos mamíferos e nos diferimos dos outros mamíferos por conseguir estabelecer relações além das funções biológicas.

O que fazer para evitar receber a ocitocina sintética?

Optar por um parto em ambiente favorável à liberação de ocitocina natural, com equipe que faça o menor número de procedimentos possíveis.

Em alguns casos, esperar pelo parto torna-se mais arriscado do que adiantá-lo. Aí o uso da ocitocina deve ser feito de forma bastante cautelosa, de preferência com a bomba de infusão que garante uma precisão da quantidade de medicamento que entra na corrente sanguínea da mulher. Em pequenas doses, incentivando a mulher a fazer uso da banheira e/ou do chuveiro para lidar com a dor e evitar a segunda intervenção: a anestesia.

Com informação, podemos fazer escolhas conscientes. E nossas escolhas revelarão o grau de consciência que temos acerca de nós mesmos e do mundo.

 

Fonte: Vila Mamífera. Kalu Brum é idealizadora do Vila Mamífera, doula e fotógrafa, jornalista de formação e poeta de coração. 

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