Crescimento pessoal

16/06/2015 21h07

Quem está dizendo a verdade?

Podemos fazer mais do que apenas esperar, imaginar ou nos preocuparmos?

Por Russ Gerber

Tumpikuja/IStock/NBE
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O que pensamos define quem somos?

Essa é uma pergunta que fica na minha mente quando leio as notícias. Devo acreditar nos políticos sobre os quais eu leio, ou no âncora do noticiário, ou nos nomes do esporte, ou nas celebridades, ou nas alegações de saúde? A visão que me passam é verdadeira? Quanto tempo até alguém examinar as alegações e evidências e chegar a uma conclusão? Quando chegaremos ao fundo disso?

Quando esses tipos de perguntas me passavam pela cabeça, eu achava que minhas opções eram mínimas. Basicamente, esperar. Esperar por alguma autoridade – um investigador, um especialista, um juiz – para fazer a soma dos conhecimentos atuais e criar uma determinação final. Enquanto isso, internamente, eu especulava, criticava, sentia pena e ressentimento. Mesmo quando as notícias que eu lia eram da melhor procedência (meus dias trabalhando com a The Christian Science Monitor mantiveram a credibilidade lá no alto), frequentemente eu sentia como se estivesse apenas marcando o tempo até que todos os fatos viessem à tona.

Mas, embora uma investigação honesta dos fatos e o processo devido precisem ser feitos, isso não significa que nossos pensamentos sobre isso não tenham consequência.

O que pensamos define quem somos e o que somos. Tudo que tem impacto sobre nós tem impacto no nosso cotidiano e, por fim, na sociedade. Isso é importante de lembrar. Há, na verdade, um enorme potencial para fazer o bem, e isso não precisa esperar.

Por onde começar? Por nós mesmos. Quando deslizes morais permeiam as notícias, faz bem depositar minha confiança e basear minhas expectativas nos bons atributos – veracidade, sabedoria, bondade e amor – como tendo um Princípio divino firme como raiz. A veracidade, em si, não vem e vai. Ela não desliza ou enfraquece. Ela é completa e central a uma base moral e espiritual na qual qualquer um pode ancorar sua vida, e isso é mais inato a nós do que talvez percebamos.

Isto significa que, se houver um deslize moral, a fundação estará corrompida? Absolutamente, não. Não há um ponto em que o verdadeiro arrependimento ou mudança sejam ineficazes em converter nossas vidas a uma direção nova e melhor, construída sobre uma base incorrupta e prosseguindo a partir dela.

Enquanto isso, cultivar a integridade, a sinceridade e seus afins, permitindo que eles encontrem contínua expressão na família, no trabalho e na vida social, nos ajuda a nos mantermos moralmente firmes, independentemente das mensagens que são empurradas sobre nós.

Isso não é tudo. O que acontece internamente pode ter um impacto maior no cenário mundial. Chegando ao potencial total, a fundadora do Monitor, Mary Baker Eddy, respondeu à pergunta de um leitor  da seguinte maneira: “Ao manter a ideia correta de homem na minha mente, posso melhorar minha própria individualidade, saúde e moral, e as de outras pessoas; entretanto, ao manter a imagem oposta de homem, como um pecador, sempre na minha mente, não poderei melhorar a saúde e a moral, da mesma maneira que manter a forma de uma jiboia no pensamento não é útil a um artista que irá pintar uma paisagem.”

Com os olhos abertos para as oportunidades de melhorar a atmosfera moral – procurar e lutar pela honestidade em vez de se fixar à decepção, pela confiança no lugar da desconfiança – nós evitamos nos tornar cínicos observadores (ou vítimas) de uma cultura propensa à enganação. Nós também mostramos, através do exemplo, que as pessoas conseguem entender o valor da honestidade e das boas qualidades, e que está na nossa natureza expressá-las – e é mais saudável para nós quando o fazemos.

Também há um momento em que vamos mais fundo. Nós nos perguntamos sobre uma gama inteira de qualidades que expressamos – os traços bons e ruins em contraste que se manifestam para compor quem somos. É irrealista pensar que traços maus possam ser revertidos? A propensão a modificar a verdade, por exemplo, é tão firme e real em nós quanto o impulso de dizer a verdade?

Do estreito domínio da mente humana, parece que sim. Mas de uma perspectiva mais ampla – daquele Princípio fundamental e divino – vêm qualidades inteiramente boas que podem ser abraçadas de forma decisiva, e isso dissolve naturalmente aqueles traços inescrupulosos e sem amor. O egoísmo leva ao altruísmo; uma perspectiva excessivamente crítica cede à paciência e à compaixão.

Ninguém está desconectado da raiz das boas qualidades. Honestidade, compaixão, compromisso permanecem inatos e intactos, para serem abraçados por nós – e como parte de nós.

Despertarmos para essa verdade tem um impacto favorável à nossa perspectiva. Cresce a convicção de que isso é tão verdade para os outros quanto para nós. Essa convicção, por sua vez, pode ajudar a despertar a sociedade. Isso coloca um peso coletivo maior nos bons pensamentos e ações.

As manchetes de hoje sugerem que nós poderíamos usar muito mais esse despertar.

Russ Gerber é professor de Ciência Cristã. Este artigo foi originalmente publicado em PsychologyToday.com

 

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