Família

30/04/2015 10h19

Amamentar é natural! Não é pornô!

Mulheres se mobilizam para defender o direito à amamentação em todos os locais

Por Nosso Bem Estar

KALU BRUM/OLHAR MAMÍFERO
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Amamentar é um direito, um ato de amor, uma doação

A ONU (Organização Mundial de Saúde) recomenda que o leite materno seja o alimento exclusivo do bebê até os seis meses de idade e que até os dois ou mais sirva de complemento junto com outros alimentos. O Ministério da Saúde do Brasil apoia esta recomendação. No entanto, diversos locais proíbem ou constrangem a amamentação em público. As mães não deixam por menos e têm organizado uma série de mamaços em locais que discriminam a amamentação, reunindo mulheres que alimentam seus filhos livremente em forma de protesto.

Elas defendem que colocar os seios para fora não tem nada de obsceno e nenhuma conotação sexual. A doula, fotógrafa e jornalista Kalu Brum amamentou o filho, Miguel, até os quatro anos. "É preciso apagar a relação de pornografia e amamentação. Há de se ter mulheres amamentando em todos os lugares e fotos estampadas de bebês e crianças de todas as idades para reconstruirmos a normalidade deste processo fisiológico. Meu filho vive rodeado de mulheres que amamentam em público. Certamente será um pai que incentivará o mesmo para com seus filhos", sustenta.

                          Geisy depois do parto amamentando as Marias: eduarda, com 2a6m e Cecília recém parida

Embora traga inúmeros benefícios para a saúde física e emocional do bebê, no Brasil a amamentação tem uma média de apenas 27 dias exclusivos. "Não é de se surpreender quando o país tem uma média de 52% de cesáreas, muitas delas eletivas. E qual a relação entre parto e amamentação:a relação direta é que os hormônios do trabalho de parto facilitam a descida do leite. o contato pele a pele, logo após o parto, permite um fortalecimento do vínculo. Um parto natural faz com que a mulher esteja mais disposta para amamentar e cuidar de sua cria", salienta Kalu.

Multa por proibir amamentação
Na cidade de São Paulo virou lei: desde 14 de abril deste ano, qualquer estabelecimento da cidade que proibir mães de amamentarem em público deverá pagar multa de R$ 500.  De acordo com a Lei, não é necessário existir uma "área segregada" para que os bebês sejam alimentados. Ou seja, mesmo que exista essa área, a mãe pode dar de mamar em qualquer local dentro do ambiente.

Visibilidade
No Brasil e em diversos outros países, ações e campanhas buscam chamar a atenção para o tema. Um bom exemplo é o projeto Loove, que tem o objetivo de mostrar a beleza deste ato de amor em fotos, expondo as protagonistas destas histórias de amor: mães e filhos em pleno ato de amamentar.

A fotógrafa e mãe de dois filhos Ivette Ivens tem um projeto semelhante. Para ela, fotografar as mães amamentar seus filhos tem um significado especial. "Toda vez que eu amamento meu bebê com a camisa manchada de leite e cabelos desgrenhados, eu ainda me sinto como um super-herói, e ser capaz de amamentar meus filhos é meu superpoder", disse ela a versão americana de The Huffington Post.


                                           Miguel com 4 anos. Foto Paula Lyn

Ivens fez sua série de fotos ao ar livre com a ideia de capturar a amamentação ao natural e transmitir que o aleitamento "é uma coisa perfeitamente normal. "Eu quero que as pessoas olhem para elas como se fosse uma gata amamentando suas crias. Ou qualquer outro mamífero, se você não é amante dos gatos", acrescentou. "Esqueça ter que cobrir-se, amamentar em um banheiro público, ou das restrições. É algo entre o bebê e a mãe".

Ao final do ano, Ivens publicará um livro com as fotografias intitulado Breastfeeding Goddesses, algo como Deusas da Amamentação.

"Amamentar é entrega, não saber. É doar-se. Dizem que o leite é o sangue branco que corre nas tetas para alimentar as crias. A continuidade do crescimento necessário, exclusivo, preferencialmente até seis meses, mas por tanto tempo que a mãe e bebê estiverem satisfeitos", destaca Kalu.

Clique aqui para ler o texto "Lactância selvagem, de Kalu Brum

Fontes: Vila Mamífera, Loove e The Huffington Post

 

 

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