Crescimento pessoal

16/04/2015 10h37

Educação Fora da Caixa

Conheça o projeto de doutorado informal que propõe caminhos diferentes de aprendizagem

Por Nanda Barreto/Nosso Bem Estar

Fotosipsak/IStock/NBE
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A educação sem paredes pode levar a um vasto jardim de interrogações

Cansado da educação baseada em marcar o X na questão correta, o jovem Alex Bretas, 23, resolveu criar o projeto Educação Fora da Caixa (EFC), uma investigação autônoma e curiosa sobre novas formas de aprendizagem de adultos. "Sempre fui bom aluno, mas daqueles que questionava muito porque as coisas eram do jeito como eram. No final de 2013, pegando o embalo de uma mudança de cidade e de trabalho (vim para São Paulo, tendo morado 5 anos em Belo Horizonte), fui ao lançamento do livro "Volta ao Mundo em 13 Escolas", do Coletivo Educação, e decidi fazer alguma coisa".

No ano passado, Bretas fez um chamado numa plataforma de financiamento colaborativo para colocar seu plano em ação. A arrecadação superou as expectativas, contabilizando um investimento total de R$ 15.917, sendo que o orçamento calculado era de R$ 8.908. O resultado das pesquisas será publicado em um livro gratuito. "Desde o final de 2013, estou coletando materiais, estudando iniciativas e participando de conversas sobre o tema. Atualmente, estou numa fase bem interessante da confecção do livro que é abrir espaço para todos os potenciais tópicos relevantes que poderiam ser abordados. Algo bem divergente, tipo um brainstorming mesmo. Estou criando um mapa mental para começar a organizar isso", conta.

Bretas conta com muitos parceiros nesta empreitada. O grupo de trocas sobre doutorado informal criado por ele no Facebook conta com mais de 2,4 mil participantes. "Como parte da pesquisa, também tenho realizado Círculos de Doutorandos Informais - CDIs, que são encontros para que as pessoas não apenas conheçam a proposta do doutorado informal, mas possam pensar qual caminho de aprendizagem poderia fazer mais sentido a elas e como tornar isso algo concreto. Pra isso, utilizo jogos cooperativos, resgate biográfico, abordagens de conversação etc", explica o jovem.

 

 

 

 

 


 

Educação em rede
A educadora cearense Danielle Morais Feitosa, 32, participou de um destes encontros. "Participar do CDI foi uma experiência nova e que me deixou muito surpresa pela intensidade das autorreflexões desencadeadas no período de um dia. A metodologia usada foi interessantíssima pois apontou para um caminho de busca, construção e síntese de possibilidades de projetos de engajamento existencial, que é, na minha opinião, o conceito mais amplo de Doutorado Informal", explica.

"Filha, esposa, amiga, mãe, educadora e aprendiz de si mesma", a relação de Danielle com a educação começou há oito anos quando ela resolveu deixar o trabalho de analista em um banco público para cursar pedagogia. "Educação para mim é a essência máxima da vida. Acredito que estamos nesse mundo como aprendizes e que com esse aprendizado transformamos o mundo à medida que transformamos nós mesmos", destaca, acrescentando que considera o EFC um projeto "revolucionário pois propõe a busca e a exploração do conhecimento de uma maneira livre, consistente e engajada, tudo o que o ensino tradicional não faz".

A ideia de Bretas está percorrendo o país. A agenda de CDIs inclui atividades em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. "Estou tendo várias surpresas no meio do caminho. A grana que captei no Catarse não vai ser suficiente para me manter durante este ano somente escrevendo o livro e estou me organizando. No médio e longo prazo, a ideia é continuar articulando um movimento em torno do doutorado informal. O que quero é mostrar às pessoas que existem outros caminhos para além da trilha formal-acadêmica. E eles podem sim ser bastante desafiadores e prazerosos também!".

Menos paredes, mais jardins
Sem medo de inovar, Bretas sugere um caminho diferente de aprendizagem. Nele, não é possível encontrar fórmulas prontas nem respostas imediatas, mas sim um vasto jardim de interrogações. Cada dúvida semeia uma curiosidade e assim se plantam novas descobertas. "Acredito que a ideia por trás do doutorado informal é muito revolucionária. Não se trata de uma outra versão do dispositivo "doutorado", e sim de uma metáfora, de uma nova compreensão - mais poética - da busca pelo conhecimento e pela sabedoria que é cara a todos nós seres humanos. O doutorado, na academia, é quando o pesquisador é habilitado a lançar o seu olhar, fazer nascer algo novo. Poxa, acredito que todos nós já viemos "de fábrica" com essa capacidade!", defende.

Para o jovem, uma questão crucial é acreditarmos em nós mesmos e termos boas ferramentas. "As ferramentas estão ao nosso alcance, e estou cuidando disso no livro também numa parte somente dedicada a elas. Mas, acreditar continua sendo o elemento essencial. E o doutorado informal vem para dizer que é possível se dedicar conscientemente a um percurso de aprendizagem autônomo e entregar para o mundo os frutos desse caminho. Na área do conhecimento que fizer mais sentido pra você, aqui e agora".

Em suma, o que Bretas propõe - e tantas outras pessoas pelo mundo afora também - é que o ato de estudar tem mais a ver com deixar-se levar pela própria inquietação intelectual do que simplesmente aceitar uma coletânea de realidades incontestáveis.

E você, já parou para pensar fora da caixa?

Que tal começar assistindo ao documentário "Educação proibida"?

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