Família

11/09/2019 08h00

Waldorf X Montessoriano

Entenda as semelhanças e diferenças entre os dois consagrados métodos educacionais.

Por Nosso Bem Estar

Nosso Bem Estar
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Waldorf X Montessoriano

Quando se fala em educação infantil, o método de ensino pode ir além do estilo tradicional – que se caracteriza por aulas, lições de casa e provas. Dois exemplos disso são as linhas pedagógicas Waldorf e Montessori.

Elas surgiram há bastante tempo, mas têm se tornado cada vez mais presentes na vida de muitas famílias que buscam formas alternativas para o desenvolvimento dos filhos. Os métodos rejeitam a educação formal e acreditam que esse processo deve ser feito dentro de um contexto mais amplo, abordando o aspecto mental, físico e emocional.

Existem algumas semelhanças entre as pedagogias Montessori e Waldorf, mas elas também apresentam as suas particularidades. A seguir, vamos falar um pouco sobre a história dessas propostas e as principais diferenças e semelhanças. Acompanhe.

O método Waldorf

Essa forma de ensino surgiu em 1919, com a escola fundada pelo filósofo Rudolf Steiner. A linha pedagógica, adotada pela Instituição, buscava o desenvolvimento espiritual, físico, intelectual e artístico dos alunos.

Diante disso, o aprendizado não aborda apenas questões cognitivas e mentais. Ele tem como foco brincadeiras e atividades que envolvam imaginação, habilidades manuais e o contato com a natureza.

Diferentemente do modelo tradicional, que tem a leitura e a matemática como elementos principais, nos anos iniciais do ensino Waldorf, as crianças são incentivadas a brincar e a aprimorar habilidades como arte, música, canto etc. O progresso com a escrita e com a leitura começa a partir dos 7 anos.

Uma das diferenças entre o método Waldorf e o Montessori é que, nesse primeiro, a formação das salas de aula é feita com crianças da mesma faixa etária, acompanhadas por um professor e com muitas atividades em grupo. Já na linha Montessori, são formados grupos com um intervalo de idade, com crianças de 3 a 6 anos, por exemplo, o que faz com que, além do estímulo do professor, elas aprendam com os ensinamentos de outras.

A pedagogia Waldorf compreende períodos de 7 anos, nos quais o indivíduo terá o apoio de professores educadores para desenvolver as suas habilidades, seguindo princípios como antropologia evolutiva, importância das artes, amor pela natureza e inteligência manual.

O primeiro setênio é a fase de abertura da criança para o mundo exterior, e aplicam-se brincadeiras e atividades sensoriais. De 7 a 14 anos há uma potencialização da imaginação e das artes com tarefas manuais, artísticas e esportivas. No último setênio, incentiva-se a busca pelo real e o pensamento autônomo.

A antroposofia é um dos principais pilares da pedagogia Waldorf — a sua palavra vem do grego, que significa conhecimento do ser humano. Ela foi introduzida por Rudolf Steiner e compreende todas as áreas da vida humana e da natureza. A antroposofia ainda segue um conceito espiritual e acredita que o universo vai além da matéria e energia física, englobando um mundo espiritual complexo.

Essa abordagem educacional inclui os conteúdos tradicionais, mas também incentiva o contato com a natureza, as habilidades manuais, artísticas e outros estímulos físicos. Sendo assim, ela segue o sentido oposto do que é visto em muitas famílias e escolas atualmente – em que crianças utilizam telas e jogos desde muito novas. Ao optar por essa alternativa, os pais devem buscar um alinhamento dentro de casa, reduzindo o uso da TV, celular e jogos eletrônicos.

Em 2019, a pedagogia Waldorf completa 100 anos e segue em expansão pelo país, além de unidades pela América Latina. O ensino diferenciado tem despertado o interesse de muitos pais e alunos. De acordo com a Federação das Escolas Waldorf, o número de unidades escolares que aplicam o método cresceu 200% nos últimos dez anos. 

O método Montessori 

A educação Montessori surgiu por iniciativa da antropóloga e médica Maria Montessori, na Itália, em 1907, quando ela inaugurou a Casa Di Bambini em uma área de baixa renda de Roma. Assim, como o estilo Waldorf, essa linha de ensino busca o desenvolvimento amplo da criança, respeitando as suas individualidades e liberdade de escolha.

Contudo, enquanto o sistema criado por Rudolf Steiner incentiva a imaginação e o faz de conta, a pedagogia elaborada por Maria Montessori entende que as crianças podem brincar e aprimorar a sua imaginação. O aprimoramento é feito a partir das habilidades e trabalhos da vida prática, como: cuidar do meio ambiente, cozinhar, exercer o cuidado pessoal, entre outros.

O sistema Montessori foi introduzido em uma escola brasileira em 1910, mas o seu avanço aconteceu de forma mais lenta — foi somente na década de 70 que as escolas montessorianas começaram a se espalhar pelos estados do Brasil.

A proposta montessoriana tem alguns pilares, sendo eles: autodisciplina; educação cósmica, que aborda o conhecimento sobre o universo, o ciclo da vida e como todos os componentes se relacionam; educação com ciência, utilizando o método científico com observação, teoria e hipóteses; ambiente preparado - nesse caso, o local deve ser adequado para a criança fortalecer a sua autonomia; adulto preparado - a pessoa que acompanha a criança deve ter conhecimento para guiá-la em seu desenvolvimento; professor acompanhador e criança equilibrada.

O aprendizado é feito com o apoio de materiais sensoriais que orientam a linguagem, a escrita, a matemática, entre outras disciplinas. Assim sendo, a alfabetização, nesse caso, acaba tendo início um pouco mais cedo do que no ensino Waldorf.

Entretanto, não é o adulto que orienta a atividade da criança, ela que deve demonstrar os seus interesses de aprendizagem. A ideia é que a criança tenha autonomia e avance de acordo com o seu tempo. Embora haja atividades em grupo, muitas tarefas são feitas individualmente ou em pares.

Aplicação dentro de casa

O método pode ser aplicado em casa. Hoje em dia, muitas famílias adotam o estilo montessoriano no quarto das crianças e em outras atividades diárias. Como vimos, Maria Montessori acreditava no desenvolvimento natural das crianças, aplicando atividades do dia a dia para incentivar a autonomia delas. Através deste princípio, os pais devem participar desse processo.

Diante disso, os quartos montessorianos se tornaram um dos principais exemplos dessa filosofia. A cama fica no chão (no lugar de berço), o armário deve ser baixo e os objetos e brinquedos devem ficar na altura das crianças. A ideia é que o local ofereça um espaço seguro para os bebês se movimentarem e despertarem a sua curiosidade - de acordo com a etapa da vida.

As atividades montessorianas também podem ser aplicadas em casa, pois contribuem para o crescimento de bebês e crianças. No lugar de brinquedos eletrônicos ou de plástico, a metodologia incentiva o uso de objetos e materiais já existentes em casa, como almofadas, fitas, papelão, barbante, tintas, entre outros.

Uma das ideias é a caixa sensorial, que consiste em uma caixa de papelão, por exemplo. Através dela, podem ser apresentados diferentes objetos com tamanhos e texturas que estimulam os sentidos, a criatividade e a coordenação motora. A caixa pode ser feita com tecidos, sementes, argolas, entre outros objetos. No entanto, é essencial prepará-la de acordo com a idade de cada criança, evitando itens pequenos que causem acidentes.

Essas são algumas das semelhanças e diferenças entre os métodos Waldorf e Montessori. Eles são positivos para a educação e o desenvolvimento das crianças e podem ser aplicados em casa e na fase escolar. Sendo assim, é importante se aprofundar no assunto para identificar qual linha é mais adequada ao perfil da família. 

 

 

 

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