Bem-estar

04/09/2019 08h00

Para receber a Primavera

Estamos em contagem regressiva para dar adeus ao Inverno e comemorar a chegada da Primavera

Por Gilberto Blume

Nosso Bem Estar
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Para receber a Primavera

O inverno é uma estação controversa que divide a população entre amantes e inimigos do frio. Mas, deixemos o Inverno pra lá e assinalemos na folhinha a chegada da Primavera, essa sim uma estação praticamente unânime - mesmo que algum pólen insista em irritar uns e outros.

Não está escrito em lugar algum que tenha de ser assim, mas é visível que a Primavera altera, para melhor  os comportamentos humanos, interfere nos nossos humores, proporciona-nos bem-estar, entre muitas outras mudanças a que nos entregamos automaticamente, sem nos darmos conta que o crédito dessa transformação é do ar, literalmente da atmosfera, na combinação físico-química que resulta nesse fenômeno, a Primavera.

Pra não dizer que não falei das flores, a Primavera renova, rebrota, reaviva, desperta sementes, plantas e animais para mais um ciclo. As civilizações antigas celebravam a troca de todas as estações com festanças religiosas e pagãs.

Na Primavera, contudo, os europeus de outrora caprichavam: cultuavam divindades que simbolizavam a fertilidade e a generosidade da natureza, materializadas em ovos e coelhos – e também valorizavam sobremaneira as flores, naturalmente.

Era quando os povos se reconectavam com a vida exterior, após meses de obscuridade, frio extremo, clausura, carências, inclusive fome.  Atualmente, os rituais e celebrações para a natureza estão praticamente extintos, mas a aura que encima a Primavera sobrevive solene, e é visível nessa transformação a que nos entregamos depois do soturno Inverno. Quem estiver minimamente atento percebe os efeitos do Equinócio da Primavera (leia abaixo) sobre nossas existências.

Nesses tempos tão incertos moral, cultural, social, politico, ambiental e economicamente, podemos ao menos cravar uma certeza: integramos um sistema natural e somos a um tempo alvo e vetor das energias. Essa certeza faz a diferença, pois com um pouco de concentração e vontade somos capazes de desligar o botão que nos conecta ao que é tóxico, nocivo, amoral, e acionar o modo reviver.

Sol, luz, brotações e germinações, acasalamento de plantas, aves e insetos, impossível todo esse barulhinho bom passar em branco, pois (ainda) fazemos parte desse todo chamado natureza.

Um símbolo da estação

Tem uma planta que representa com sobras o simbolismo da Primavera. É o copo-de-leite, espécie nativa da África do Sul adotada em generosa fatia do Brasil, com especial predileção pelos gaúchos.

No popular, o copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica) simboliza a paz e a tranquilidade. A florada ocorre agora, a partir do Inverno até o Outono. São, portanto, aproximadamente nove meses de exuberantes flores.

O copo-de-leite habita a história sentimental de diversas gerações. A flor enfeitou igrejas em casamentos, crismas, batizados; adornou festas paroquiais; enfeitou jardins domésticos, foi levada por noivas em forma de buquê. Também conhecidos como flor-do-Nilo, copos-de-leite são elegantes, têm presença quase nobre.

Atualmente, a espécie anda sumida, provavelmente vitimada pela especulação imobiliária que transformou os antigos lotes urbanos em edifícios, fábricas, lojas.

Infelizmente, nas cidades não restou espaço para o copo-de-leite.

A planta é guerreira, ainda resiste nas periferias, empurrada pelo progresso. Mesmo assim, nas bordas das cidades, na colônia, o copo-de-leite anda escasso. A flor pode ser adquirida em meia dúzia de fruteiras e em algumas feiras de produtores. Ao vê-la à venda, portanto, não titubeie: leve-a para casa.

Em vaso com água, o copo-de-leite permanece viçoso durante uma semana ou mais. Dica: de dois em dois dias, troque a água e corte alguns centímetros da ponta do caule. Essas providências simples tendem a dar sobrevida á flor.

Naturalmente, não é somente o copo-de-leite que faz uma Primavera. Caso fosse somente ele, não seria a estação das flores, A citação à espécie se justifica pela busca de reconexão que muitos de nós empreendemos atrás de tantas coisas dispersas, deixadas pelo caminho.

Caso você depare com um copo-de-leite pelo caminho, reverencie-o, pois é Primavera!

AGENDE-SE

A Primavera 2019 começa às 04h51min do dia 23 de  Setembro

 

Gilberto Blume é paisagista e jornalista

 

Equinócio e Solstício

O Equinócio acontece duas vezes por ano, assim como o Solstício. Os fenômenos marcam a entrada das novas estações. O Solstício acontece durante o Verão e o Inverno, já o Equinócio acontece no início da Primavera e do Outono.

O Solstício ocorre quando o Sol está mais perto de um dos hemisférios, fazendo com que uma parte do planeta tenha um dia maior, enquanto o outro lado tem um dia menor.

Já no Equinócio, o Sol está mais próximo da Linha do Equador, e por isso o dia e a noite nos dois hemisférios têm a mesma duração.

23 de setembro de 2019  - 04h50min - Equinócio de Primavera no Hemisfério Sul e de Outono no Hemisfério Norte

22 de dezembro de 2019 - 01h21min - Solstício de Verão no Hemisfério Sul e de Inverno no Hemisfério Norte

20 de março de 2020 - 00h51min Equinócio da Outono no Hemisfério Sul e de Primavera no Hemisfério Norte

21 de junho de 2020 - 18h45min - Solstício de Inverno no Hemisfério Sul e de Verão no Hemisfério Norte

22 de setembro de 2020  - 10h32min - Equinócio de Primavera no Hemisfério Sul e de Outono no Hemisfério Norte

Observe que as datas e horários podem sofrer variações a cada ano em função do movimento da Terra ao redor do Sol.

Duração dos dias

Nos equinócios, dia e noite têm a mesma duração.

Solstício de Verão: dia mais longo.
Solstício de Inverno: noite mais longa.

 

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