Crescimento pessoal

12/10/2017 06h30

Wanderléa é uma brasa, mora?

Levamos um papo firme com a cantora mais queridinha da Jovem Guarda. Aos 70 anos, Wanderléa revela a fórmula para manter toda a sua ternura: uma mistura de trabalho incessante e muita meditação.

Por Filipe Marcel

NBE
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Entrevista com a "Ternurinha"

A cantora Wanderléa, eterna musa da Jovem Guarda e parceira de Roberto e Erasmo Carlos, chega aos 71 anos de idade esbanjando a mesma energia e disposição que exibia nos palcos no final da década de 1950. A queridinha da Jovem Guarda fez parte do movimento que trouxe o rock’n’roll para o Brasil. A Ternurinha, apelido carinhoso que recebeu do rei Roberto Carlos, quando ainda namoravam, conversou com exclusividade com o Nosso Bem Estar durante as apresentações de “60! Década de Arromba!”, em São Paulo, seu primeiro musical em mais de 50 anos de carreira.

“Agora não saio mais dos 70, só comemoro as décadas”, brinca Wanderléa ao revelar como faz para conciliar o avanço dos anos com a rotina de shows. A cantora faz cinco apresentações do musical por semana, que duram cerca de três horas, nos nove meses em que já está em cartaz. “Eu resisti um pouco em fazer um musical. A rotina do teatro é uma coisa muito diferente das apresentações que eu estava acostumada a fazer, pois viajamos muito quando estamos em turnê. O teatro é uma coisa de formiga, que começa na quinta-feira e exige que eu esteja completamente envolvida com aquele trabalho, o tempo todo. Fiquei um ano resistindo, até que o diretor, o Frederico Reder, me convenceu a fazer”, recorda.

ADEPTA DA MEDITAÇÃO E DOS ORGÂNICOS

Para manter o corpo e o fôlego preparados para as apresentações, Wanderléa aposta na alimentação saudável e nos exercícios que aprendeu para manter a postura. “Eu nunca frequentei academia. A minha aeróbica já é em cima do palco”, brinca a cantora, que recentemente começou a praticar pilates seguindo uma indicação da filha. “Boa alimentação eu sempre tive. E minhas filhas [Jadde e Yasmin] são mais rigorosas ainda. Toda semana chega uma cesta de alimentos orgânicos em casa. Eu não abro mão da comidinha natural, dos grãos integrais e das vitaminas naturais”, ressalta. Ela também diz recorrer à massagem ayurvédica e à medicina ortomolecular para conseguir o equilíbrio do organismo. “Minha médica segue uma linha mais naturalista e sempre me dá as fórmulas que preciso para manter o meu organismo em ordem. Eu procuro me cuidar da maneira mais natural possível”, acrescenta.

Para manter a cuca em dia, Wanderléa aposta nas técnicas de meditação que aprendeu ao longo da vida. “Eu acho que a meditação é o caminho mais importante para manter o equilíbrio emocional. A minha orientação é ecumênica, portanto, eu aprendo de tudo um pouco. Gosto de praticar a meditação transcendental, misturando com um pouco de tudo que aprendi nos cursos que fiz. Essa é a minha terapia”, destaca. Entre os livros de cabeceira da Ternurinha está um sobre Saint Germain, figura adorada por diversas sociedades místicas. “Eu tenho um momento diário de agradecimento, pela minha trajetória, pelos amigos que tenho feito durante a vida e também por esse presente maravilhoso que a vida está me dando agora aos 70 anos”, diz, emocionada.

AUTOBIOGRAFIA VAI FALAR DAS SUAS DORES

No entanto, se engana quem pensa que a vida de Wanderléa é feita só de “iê, iê, iê”. No auge da fama, aos 23 anos, Wanderléa viu seu então noivo, José Renato, filho do apresentador Chacrinha, ficar paraplégico. Perdeu também um filho, de dois anos de idade, afogado na piscina de casa. E seu sofrimento não parou por aí. Ela ainda presenciou um dos seus irmãos perder a luta contra a Aids. Com a rotina de shows, a cantora confessa não ter tido tempo de digerir completamente tudo o que acontecia. Ternurinha chegou a ter duas depressões, mas continuou cantando – e escrevendo – para tentar se libertar da dor que sentia.

O resultado disso poderá ser visto, em breve, no livro “Foi Assim”, previsto para ser lançado em dezembro pela editora Record. A obra traz uma seleção de textos escritos por Wanderléa nos últimos 15 anos. “Vocês estão sabendo disso em primeira mão. Essa autobiografia tem muito da minha história, pois é algo que escrevi como uma terapia para mim. Eu foquei apenas nos momentos mais difíceis, por isso, o jornalista Renato Vieira [O Estado de S. Paulo] tratou de acrescentar datas e os acontecimentos mais felizes da minha vida. Se não fosse isso, seria um livro muito triste”, reflete.  

“A época da Jovem Guarda trazia, todos os dias, um acontecimento diferente. Então, quando eu tinha tempo, escrevia. Quando surgiu a ideia de publicar esses textos, eu fiquei muito receosa, mas, por outro lado, foi muito bom. Eu não tinha muito tempo para ficar destilando as situações. Vivia acontecimentos fortes, gravíssimos, mas não tinha tempo de parar, ou perceber o que estava acontecendo. Escrever foi uma forma de vivenciar tudo isso, de observar o que a vida tinha me trazido”, avalia Wanderléa.

MUSICAL ATUAL É UM SUCESSO!

Hoje ela só tem motivos para comemorar. As sessões do musical ”60! Década de Arromba!” estão sempre lotadas. No Rio, onde ficou em cartaz por quatro meses, mais de 37 mil pessoas assistiram à apresentação. Na peça, Wanderléa aparece entre 24 atores e dez músicos, interpretando Prova de Fogo, Pare o Casamento, Foi Assim e É Preciso Saber Viver, entre outros hits de seu repertório. Além disso, ela segue divulgando o disco “Vida de Artista”, seu trabalho mais recente, que revisita a obra da compositora Sueli Costa. Agora, Wanderléa prepara um próximo álbum, que contará com composições inéditas de Marina Lima, Erasmo Carlos e Jorge Mautner.

Junto com o marido, o músico Lalo Califórnia, com quem está casada há 37 anos, e uma das filhas, que também acompanha ela no musical, Wanderléa mostra a mesma juventude que já foi capaz de arrastar multidões. E continua sendo um fenômeno, tanto na arte como na vida, demonstrando gratidão por tudo que acontece ao seu redor. “É muito emocionante ver nos olhos e na fisionomia do público, tanto carinho. Isso acaba servindo como reconhecimento do meu trabalho e me dá forças para seguir em frente”, finaliza a Ternurinha.


FOI ASSIM

Letra da música que leva o nome da autobiografia da Wanderléa

Foi assim

Que eu vi você

Passar por mim

E quando pra você eu olhei

Logo me apaixonei

 

Foi assim

O que eu senti

Não sei dizer

Só sei que pude então compreender

Que sem você meu bem

Não posso mais viver

 

Mas foi tudo um sonho

Foi tudo ilusão

Porque não é meu

O seu coração

Alguém roubou de mim

O seu amor

Me deixando nessa solidão

 

Foi assim

E agora o que é que eu vou fazer

Pra que você consiga entender

Que sem você meu bem

Não posso mais viver

 

Foi assim

O que eu senti

Não sei dizer

Só sei que pude então compreender

Que sem você meu bem

Não posso mais viver

 

Mas foi tudo um sonho

Foi tudo ilusão

Porque não é meu

O seu coração

Alguém roubou de mim

O seu amor

Me deixando nessa solidão

 
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